Segunda-feira, 9 de Agosto de 2004

Voltar ao trabalho é lixado

Voltar ao trabalho é lixado. Uma pessoa já está habituada à modorra da caminha, ao espreguiçar ao sol (quando há), a poder blogar a qualquer hora (se o Sapo deixar), enfim só mordomias. E, de repente, sem mais aviso, toca a levantar cedo, arranjar à pressa e ir aturar os caturras que, em Agosto, se passeiam pelos corredores (sem murmúrios, sequer). Papeis é mato. Em cima da secretária, uma pilha deles. E nem há D. Fátima que me anime (isto hoje não é sobre ela, aviso já!!!). O diabo da mulher já conseguiu ter mais protagonismo que a engenheira, coisa que obviamente não me agrada.
Ia eu dizendo que voltei, dei dois dedos de conversa no bar e fui logo perguntando por novidades. Fulano vai ser substituído, cicrano vai para assessor do novo Secretário de Estado, aliás muito bem porque quanto mais estúpidos são os assessores, mais facilmente os enrolamos (julgamos nós, pobres inocentes, ao avaliar cada nova equipa ministerial). Encontrei uma colega , responsável pela área da Documentação, etc. que estava desolada. Pensei que tivesse algum desgosto familiar ou talvez até, quem sabe, alguma frustrada ambição de ocupar um lugar mais elevado (aqueles de onde se cai mais depressa ou de onde nunca se sai, tudo depende da “altura” da elevação). Chamei-a à parte e com este meu jeitinho de mulher solidária ( já deram por isso, não? hem?) perguntei-lhe o que é que tinha. Vai daí, ela confidencia-me que, na anterior mudança de governo ( do PS para o PSD, ainda estão lembrados?) , o nome do Ministério tinha mudado, o logotipo também e as novas regras gráficas só tinham chegado em Maio deste ano. Então, tinham mandado fazer milhares de ofícios, envelopes de todos os tamanhos, comunicações de serviço, informações (eu sei, eu sei, este texto está complexo para quem não trabalha na função pública…) . Tragédia: agora, com o novo governo, o nome do Ministério mudou outra vez, bem como o logotipo. Que fazer a todo aquele papel? Onde arranjar dinheiro para mandar fazer outros milhares?
Consolei-a como pude, fiz as gerais considerações sobre a ignorância desta gente (entenda-se quem nos governa) relativamente ao trabalho dos outros mas não lhe dei a solução que me passou pela cabeça, talvez porque pensei no incómodo que isso poderia causar aos funcionários da casa (afinal, aquele papel de ofício é um pouco rijo). Mas fiquei a fazer contas, pensando que o que se poupava em papel higiénico talvez desse para os novos papeis timbrados e , assim como assim, ficava ela por ela, que a função não teria grandes diferenças.
publicado por lique às 21:58
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De Anónimo a 10 de Agosto de 2004 às 21:17
Lia: parece que ambas sabemos bem como tudo isto (não) funciona, não é, minha amiga? Já lá vou aos canivéticos... fazem sempre parte da minha rota diária. Beijinhos lique
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(mailto:lique2@sapo.pt)
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