Quarta-feira, 7 de Julho de 2004

Silêncio sussurrado

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A energia falhou. Parou o fluxo de vida das máquinas. Fez-se silêncio nos corredores, murmurado por conversas em surdina. Nas minhas mãos paira a frustração dos dedos habituados ao teclado. O relógio do telemóvel olha-me dizendo que as horas são curtas, são poucas. E, no entanto, arrastam-se.
O telefone toca, estridente, ao meu lado. Palavras, decisões expectantes da energia vital. O telefone também se calará se o tempo se tornar mais longo e paralisar tudo. Ficarão as pessoas olhando os papeis, hesitando nas canetas, desejando a libertação do sol. Lá fora.
Deixo-me pairar neste mundo estranho de silêncio sussurrado.
Num raio, o ruído sobe e quebra todo o sortilégio. Voltou a força que move todo este mundo real. Olho para o ecran que se ilumina e os dedos levam-me para as teclas que acariciam, satisfazendo o desejo de linhas a preto sobre um fundo de puro branco.
publicado por lique às 08:25
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52 comentários:
De Anónimo a 9 de Julho de 2004 às 12:27
As dimensões mesclam-se e as realidades são estados de alma! Há sempre uma leitura sincera, pq em ambos os planos, sempre se encontra "escritos com pessoa lá dentro"... As pausas, as quebras de energia, apenas evidenciam lapsos de ritmo; dentro do silêncio ecoa o pulsar dos segundos, q ele nunca é total.MJM
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De Anónimo a 8 de Julho de 2004 às 22:10
Encandescente: pois é e nós agarramo-nos a algumas dessas ilusões. Enfim, o silêncio ou se goza, ou se suporta ou se vence. Beijinhoslique
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(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 8 de Julho de 2004 às 19:43
nada mais doloroso que o silêncio imposto, o ligar o pc e ver as linhas surgirem é uma forma de quebrar o silêncio, pq no papel escrevemos para nós. no pc há a ilusão de companhia. ilusões... realidades... silêncios. um bjencandescente
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(mailto:encandescente@sapo.pt)
De Anónimo a 8 de Julho de 2004 às 19:29
nyrian: compreendo o que queres dizer. O desejo dessa libertação pode não ter nada a ver com falhas de energia, mas com outros factores completamente diferentes. beijinhoslique
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(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 8 de Julho de 2004 às 18:13
"Ficarão as pessoas olhando os papeis, hesitando nas canetas, desejando a libertação do sol. Lá fora."
E quando o sentimos, mesmo sem a falha de energia?.... Quando o mundo existe lá fora e nos sentimos aprisionados cá dentro das quatro paredes, que nos oferecem o carrinho de compras do supermercado, é certo, que deviamos/podiamos/queriamos que nos realizassem, mas quando a realidade é outra?... Às vezes dou graças por esses momentos de falha.... Mas só as vezes... ;) 1 beijinho, Lique.nyrian
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De Anónimo a 8 de Julho de 2004 às 07:44
Lia/Inconformada: Obrigada às duas pelas vossas palavras. Concordo contigo Lia em que o silêncio é melhor quando não é imposto e Inconformada eu também escrevo no papel, de vez em quando, mas não é que depois tenho que passar tudo para o PC? :) Beijinhos às duas.lique
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(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 8 de Julho de 2004 às 07:41
José Gomes: tenho que te agradecer particularmente o poema que deixaste. Estás a habituar-me mal com esta oferta de poemas em cada comentário :) Já sei quem é o nosso amigo comum, sim. Bjslique
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(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 8 de Julho de 2004 às 07:38
Yardbird: já tenho visto por aí a linguagem poética dos teus comentárioa. Imperdoável é ainda não ter ido visitar-te. Algo que tenho que remediar em breve. Obrigada por teres vindo. Abraçolique
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(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 8 de Julho de 2004 às 01:31
Eu, que sou pessoa de palavras, gosto de silêncios, sussurrados ou não. E gosto de blocos e canetas de várias cores e deste calo no dedo que me acompanha desde que aprendi a escrever. E gosto dos teus textos :-)inconformada
(http://palavrasapenas.blogs.sapo.pt)
(mailto:inconformada@sapo.pt)
De Anónimo a 8 de Julho de 2004 às 00:13
Ai que saiu mal o posicionamento do poema:

Com a verdade fui solidário:/ de instaurar a luz na terra./

Quis ser tão comum como o pão:/ a luta não me encontrou ausente./

Porém aqui estou com o que amei, /com a alegria que perdi: /junto a esta pedra não repouso. /

Trabalha o mar em meu silêncio. /

(Pablo Neruda)

Assim está bem. Desculpa o mau jeito.José Gomes
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(mailto:saturnogomes@netcabo.pt)

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