Segunda-feira, 26 de Setembro de 2005

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Não pode haver nos olhos outra cor que
esta camuflada cor dos dias nunca uns
olhos suportam outra água que não
seja de um rio que se esgota outra
boca nascente não pode haver e assim

se prova um nome um sabor melancolia
não pode em caso algum surgir a
dúvida a dúvida acarreta o sofrimento
alonga a noite ataca a vida e tudo
tão escusado tanto excesso ao menos

que dos olhos se retirem as mãos
supostas súbitas muralhas contra a
cor nascida com o dia tão excessiva
a cor a dor esta melancolia que se
agacha no fundo de um olhar não

pode haver nos olhos outra venda ou
seu disfarce ou magro fingimento agora
que sabemos onde pomos este corpo de
outono consentido e destinado ao vento.



Nuno de Figueiredo, in A Única Estação
publicado por lique às 15:25
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6 comentários:
De Anónimo a 14 de Outubro de 2005 às 10:56
Chegou a hora de enfrentarmos os frios ventos no nosso corpo de Outono. Este poema é lindíssimo!Maria Papoila
(http://apapoila.blogs.sapo.pt)
(mailto:msantosilva@sapo.pt)
De Anónimo a 12 de Outubro de 2005 às 11:27
Há muito que não te visitava mas hoje estive aqui e deixei-te um beijinho...além da minha manifestação de agrado pelo teu escrito, parabéns!intemporal
(http://intemporal1.blogs.sapo.pt)
(mailto:Intemporal1@sapo.pt)
De Anónimo a 7 de Outubro de 2005 às 14:21
Um beijo para ti também lique.eu mulher
</a>
(mailto:mulher@sapo.pt)
De Anónimo a 1 de Outubro de 2005 às 15:54
fantástico, este poema!
a construção em ligadura para o verso seguinte; para a estrofe seguinte, sem nenhuma sinalética gráfica.
lembra uma lenga-lenga, como quando nos repetimos até à exaustão, e o discurso se transforma de prece a caótica babel.
o q é certo, é q não pode haver...
mjm
(http://mgrande.com/weblog/index.php/babylonia/)
(mailto:cacooco@hotmail.com)
De Anónimo a 29 de Setembro de 2005 às 20:45
Acho que sei quem és. Perdi-te o rasto, M. Um beijo para ti.lique
</a>
(mailto:alice.semaravilhas@gmail.com)
De Anónimo a 29 de Setembro de 2005 às 17:36
Ainda que contra a vontade, o outono chegará e dará espaço ao inverno; e o vento fustigará o nosso corpo e fará gelar a nossa alma; mas tudo isto, será sempre melhor que caminharmos cegas com uma venda nos olhos. É o olhar em frente, sem vendas, sem medos e muitas vezes sem ilusões, que trará de novo ao nosso sorriso, o calor do verão. Fica bem Lique.eu mulher
</a>
(mailto:mulher@sapo.pt)

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