Domingo, 16 de Maio de 2004

Álgebra

algebra.jpg


resolvo a vida como equação
igualdade aparente
inequação

variável dependente o meu sossego
a imaginação
a capacidade de vencer

em progressão geométrica
o medo instala-se-me no corpo
no pensamento na coragem

uma matriz de opções supostamente axiomáticas
provavelmente absurdas
resolvo integralmente sem sucesso

correlações imaginárias que me escapam
desaguam como rios em deltas estranhos
e tudo se baralha

nada a fazer
matematicamente tudo está errado
resolvo então a vida a golpes de machado
de plaina de cinzel
ou apenas de ternura
as mãos por demais abertas
os olhos por demais fechados



Luís Filipe Duarte, in Do amor e de ti


publicado por lique às 16:41
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34 comentários:
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 16:26
Adesse: os livros publicados são edições de autor, penso que não se encontram no mercado. Ainda bem que gostaste. Beijinhoslique
(http://mulher50a60.blogs.sapo.pt)
(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 16:18
Não conhecia Luís Filipe Duarte. Procurarei os livros publicados. Encontram-se no mercado, Lique? Para mim, mais do lado das letras do que das ciências, a matemática sempre foi poeticamente bela. Semana agradável. Abração. adesse
(http://sulanorte.blogs.sapo.pt)
(mailto:skuld_m@hotmail.com)
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 14:35
Zeus: pois, é de facto o terror dos nossos jovens, mas eu acho que isso tem a ver com a forma como é ensinada logo desde o início. Se eles aprendessem a gostar, até podiam ver a poesia da matemática. lique
(http://mulher50a60.blogs.sapo.pt)
(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 14:25
De facto a matemática também pode ser escrita em forma de poema..é pena é ser o terror dos nossos jovens!Zeus
(http://blogdezeus.blogs.sapo.pt/)
(mailto:z_olimpo@sapo.pt)
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 12:51

nada de anular, Lique! mas antes "superar"...

digamos, a "síntese" caprichosa de dois em um...rsss

enfim!DonBadalo
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(mailto:DonBadalo@sapo.pt)
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 11:55
Don Badalo: não sei se no amor as contas dão certas. Um e um igual a um, não vou nessa não. Um e um serão sempre dois, duas individualidades ligadas enquanto dura. Para serem um, alguém se anula. Bjslique
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(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 10:36

também no amor, como na álgebra, dois e dois são quatro, não é Lique?! ou será um e um igual a um?!... (olha sei lá, confesso-me baralhado em contas!)DonBadalo
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(mailto:DonBadalo@sapo.pt)
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 10:16
MJM: quanto mais variáveis acrescentamos mais o sistema se complica. Encontrar a solução não é fácil, de facto. Beijinhos, baby.lique
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(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 10:11
Encandescente: não é fácil encontrar a fórmula certa para resolver a vida, se é que tal fórmula existe... :) Beijinhoslique
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(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 10:08
ognid: lá ter o talento ele tem. Não sei se ultimamente lhe tem dado muito uso. A vida muda tudo. Pessoalmente este poema é um dos que mais gosto do livro. Mas há outros também com bastante interesse. SLB! SLB! Glorioso SLB! :)*lique
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(mailto:lique2@sapo.pt)

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