Sábado, 15 de Maio de 2004

Vincent

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Igreja em Auvers, Auvers-sur-Oise, Junho 1890





Desde que me lembro de conhecer a sua obra, Vincent Van Gogh sempre me fascinou. A mim e a mais não sei quantos milhões de pessoas, claro. Nesta matéria, não me importo nada de não ser original. Como eu não consigo explicar porque gosto ou não gosto deste ou daquele pintor e não tenho conhecimentos técnicos que me permitam fazer aqui uma grande conversa sobre as correntes artísticas em que ele se enquadra, direi que as suas obras me tocam de uma forma visceral. É algo que não é paz, não é contemplação da beleza, não é deslumbramento, é uma reacção física indefinível, à beira da angústia e da dor.
Nas minhas idas a Paris, tenho por hábito ficar mais um dia dedicado a explorar o que ainda não vi. Numa dessas vezes, fui ao Musée d’ Orsay. Depois de muitos encantos, de olhar de perto os impressionistas e os seus quadros entre a realidade e o esbatido do sonho, de ter visto um grupo de crianças sentadas de olhos espantados em frente do “Dejeuner sur l’herbe” de Manet enquanto a professora explicava, dei por mim em frente à tela que aqui reproduzo. Aproximei-me tanto quanto possível e olhei as pinceladas grossas de tinta em vários tons, bocados de tinta que agrediam a tela. De perto, podia imaginar a raiva, a angústia com que aquele quadro tinha sido pintado. Soube depois que o quadro datava do mês anterior ao do seu suicídio. Um mês depois de ter pintado aquela igreja deitando na tela, em pedaços de tinta de cores de pesadelo, o insuportável da sua vida, Vincent partia para a paz ou para o terror das suas noites estreladas.

publicado por lique às 17:46
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14 comentários:
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 09:30
MJM: Essa canção que penso que é dum cantor chamado Don McLean é realmente uma homenagem muito inspirada a Van Gogh, à sua pintura e à sua incapacidade de se "adaptar" ao mundo em que viveu. Beijinho.lique
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De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 02:32
"Stary, stary night! Feel your palette blue and grey, look out on a summer's day, with eyes that know the darkness in my soul...You took your life as lovers often do. And then I told him: Vincent, this world was never meant for one as beautiful as you!" - da mesma forma q esse quadro te impressionou, despertaste-me a memória desta canção, q me arrepia. MJM
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De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 12:23
Sara: Bom dia. Olha que, na maior parte das vezes, eu também só sei dizer se gosto ou não e tento definir o que me fazem sentir. Neste caso tentei saber um pouco mais, a vida dele é tão angustiante... Beijinhos.Bom domingo!lique
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De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 11:56
Bom dia, lique...

Gosto muito do Van Gohg. Aliás acho que entre a pintura, a ficção a poesia e a vida se entretecem laços inequívocos e fascinantes... Soubeste bem fazer a ponte. Não sabia que este quadro estava assim tão próximo do seu suicídio... Sei pouco sobre a vida dos pintores e menos sobre o contexto em que nasceram as suas obras. Fico-me a apreciar o que me oferecem à alma. E gosto quando alguém me conta estas histórias... Beijinho e bom Domingo, lique...

Sara
Sara
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De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 10:03
adesse: ainda bem que gostaste deste pequeno encontro com Van Gogh. Beijo. Bom domingo!lique
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De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 10:01
maria: há factos impressionantes na vida dele, é verdade. Uma vida infeliz e exaltada. Sair dessa vida, foi a única solução. Beijinhos. Bom domingo!lique
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De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 09:58
Wind: era um espírito inquieto, sim e olhar as suas obras é constatar isso mesmo. Os quadros que referes penso que datam da sua estadia em Arles e da conturbada cohabitação com Paul Gaugin. Talvez tenha encontrado a paz... Quem pode saber? Beijinhos. Bom domingo!lique
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De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 09:53
Ema: Bom dia! Tens toda a razão, as obras dos grandes artistas são património da humanidade e temos todo o direito de as sentir nossas, enquanto nos despertarem as emoções que provavelmente eles tanto quereriam que despertassem. beijinhos.Bom domingo!lique
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De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 09:49
Analfabeto: também há outros quadros dele de que eu gosto mais e alguns até já vi também "ao vivo" mas este foi o escolhido por ter sido o primeiro que vi num museu e por ter sido pintado quando ele já estava no asilo onde morreu. Embora o seu irmão Theo, que foi mais que seu pai durante toda a vida, fosse negociante de arte, era difícil vender uma obra que chocava alguns padrões estéticos. Diz-se (não há a certeza) que ele só vendeu uma obra durante a sua vida. Depois, foi o que se sabe... Bjs. Bom domingo!lique
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De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 02:53
porque faço parte desses milhões que amam Van Gogh, grato me foi encontrá-lo aqui. Domingo bom. ;-)*adesse
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