Quarta-feira, 21 de Abril de 2004

Vozes de Abril - a emigração

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Entre 1958 e 1974, as estatísticas oficiais registam que cerca de 1,5 milhões de indivíduos tenham abandonado Portugal.


Vão-se os homens desta terra.
Ficam cabras sem pastores
ficam terras sem seus donos.
Fica no ar um soluço
na parede uma guitarra.
Às vezes uma espingarda.
E nas mãos das mulheres
ficam sombras sombras sombras.
Às vezes uma rosa.
Às vezes coisa nenhuma.



Manuel Alegre, excerto do poema "Vão-se os homens desta terra"



publicado por lique às 19:33
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21 comentários:
De Anónimo a 22 de Abril de 2004 às 21:09
MWOMAN: Casos desses de anos de tristeza nas famílias foram tantos... Mas sabes que fiquei contente por ter havido quem aqui tivesse vindo pôr problemas do tipo :"pois e agora os nossos problemas são..." . Acho óptimo este contraponto. Uma boa noite para ti também! beijinhoslique
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De Anónimo a 22 de Abril de 2004 às 20:42
Poesia de Manuel Alegre...palavras para quê...não o sei comentar e depois dos comentários que aqui li, resta-me desejar-te uma boa noite...mas a tempo deixo algo só para acrescentar...o meu avô materno foi um desses homens que se foi e viveu uma vida inteira afastado da minha avó...viam-se uma vez por ano...triste, não é? :(beijos MWoman
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De Anónimo a 22 de Abril de 2004 às 19:53
Parentesis: o teu comentário reflecte uma realidade do Portugal de hoje- a falta de saídas profissionais e o desemprego que angustiam os jovens e os fazem também eles procurar saídas noutros países. Só que a realidade desses países agora é outra. Não te sei dar soluções e não há poemas para resolver isso, mas acho que o dinheiro que tem entrado neste país durante todos estes anos de apoios europeus ( e não foi nem é pouco, acredita) devia ter modificado estruturalmente o pais para, neste momento, poder fazer face a estas dificuldades. Ainda hoje falei disto no blog do José Duarte (Mel no Frasco) , parece de propósito. Fizeram-se auto-estradas (tb são precisas, claro), grandes obras e gastou-se à tripa forra em formação não dirigida que mascarou os números do desemprego, mas agora não dá mais. Uma possível solução: mais facilidades para a criação de empresas de jovens que vão criando emprego. Não resolve quase nada mas é uma saída possível, se formos criativos. Bjslique
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De Anónimo a 22 de Abril de 2004 às 18:22
Lique, poema muito bem escolhido uma realidade de outrora que me faz reflectir sobre a realidade de hoje. Não sei, Lique, nesse tempo a miséria corria com o povo para outras paragens idílicas (paraísos de árvores das patacas!), talvez porque ao governo então - a Salazar em particular - interessasse um povo ignorante e alienado e portanto os estudos eram uma benesse que só a alguns, poucos, chegava.
Um povo semi-analfabeto, com fome, fazia o quê? Procurava melhores paragens! (Já para não falar daqueles que fugiam por motivos políticos).
Mas, Lique, agora há uma maior (muito maior) acessibilidade ao estudo, ao conhecimento, às formações técnicas, e talvez o limiar da miséria já não seja tão extenso mas hoje em dia já não existem esses paraísos...E o que assistimos nesta juventude é o descrédito e insegurança totais, é a falta de perspectivas no futuro é o desalento e a vontade de sair daqui...porém, para aonde? Penso que estas questões são as que de uma maneira ou de outra atormentam a maioria das pessoas. Gostei muito do teu blog e voltarei. Um beijinhoParentesis
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De Anónimo a 22 de Abril de 2004 às 16:32
Porquinho: o Manuel Alegre foi sempre oportuno no denunciar das mazelas deste país. Veja-se o seu recente poema sobre a revolução sem R! Claro que o teu humor tinha que vir ao de cima mas olha que desporto de massas naquele tempo, só se fosse mesmo este... Havia talvez algum desporto de "massas"! Bjslique
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De Anónimo a 22 de Abril de 2004 às 15:56
...o Manuel Alegre foi um dos poetas que melhor soube interpretar as razões que obrigaram milhares de portugueses a "descobrirem" outras terras de outras oportunidades. Não fora o dramatismo da situação e dir-se-ia que o regime salazarento tinha iniciado o desporto de massas: "correr" com os portugueses da sua própria terra...Inté!porquinho da india
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De Anónimo a 22 de Abril de 2004 às 14:58
Analfabeto: razões de diversa ordem contribuiram para esta partida de tantos portugueses para outros países. Sobretudo razões de miséria, de subdesenvolvimento, de uma agricultura parada e poucas saídas noutras actividades. E também houve os que se exilaram para fugir à guerra, às perseguições. Não são tão numerosos mas também contam no sentir duma nação. Bjslique
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De Anónimo a 22 de Abril de 2004 às 14:52
MJM: é, acho que neste momento há que fazer uma reflexão sobre o inverso do que lembro neste post. É necessário perceber as razões de quem para cá vem e de que forma estamos nós como sociedade a aceitar e integrar essas pessoas. Beijinhoslique
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De Anónimo a 22 de Abril de 2004 às 14:44
Dora: obrigada pela visita e pelo comentário. Linda, essa canção interpretada pelo Adriano de que falas. De facto quantas mulheres ficaram sózinhas ou com crianças pequenas, esperando que os homens conseguissem ganhar o pão noutras paragens! Quantas aldeias quase desertas ... Hostórias do nosso país! Volta sempre.lique
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De Anónimo a 22 de Abril de 2004 às 13:21
A Diáspora Europeia, como os historiadores gostam de lhe chamar. ugir da fome e da miséria, provocada pelo Estado Novo. Sinal mais do que vísivel da desgraça...analfabeto
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