Quarta-feira, 17 de Março de 2004

A Paixão de Cristo

Cedi à curiosidade e fui ver. Não quero ofender ninguém com este post, mas na realidade não consegui chegar a entender o que pretende Mel Gibson provar. Mostrar a verdade? Mas qual verdade? Neste assunto, a verdade é matéria de fé e como tal deve ser mostrada. Ou seja, deve ser fiel à mensagem cristã e fazê-la passar. Ou não, se alguém quiser fazer um filme que defenda o contrário! Este é um filme brutal e, embora as palavras de perdão estejam na boca de Cristo, não há ali nenhum perdão da parte de quem o realizou. É isso que as imagens dizem: não há perdão.
Do ponto de vista meramente cinematográfico não me parece em nada um grande filme. Tem aqui e ali momentos de boa fotografia (ainda que a escorregar para os clichés mais darks da arte sacra), embora a cor vermelha seja tanta que se sobrepõe a tudo o resto. A história é obviamente conhecida e não me parece que, a não ser pela violência, haja qualquer abordagem original. Tanta polémica sobre o anti-semitismo vem de onde? A mim parece-me que os judeus são retratados como os únicos a quem Cristo ameaçava em termos de poder (queriam lá os romanos saber de mais um profeta naquelas terras longínquas!). E esse é o ponto de vista habitual dos filmes sobre este tema. Que foram os judeus que o entregaram também é consensual, em termos de leitura dos Evangelhos. Então?? Já nem valerá a pena falar daquele fim, eu não consigo imaginar Cristo a ressuscitar e caminhar nu para…onde? A ressurreição também é matéria de fé e como tal…deve passar a mensagem espiritual. E talvez ao escrever isto eu tenha chegado ao que me chocou, a mim que nem costumo impressionar-me nada com filmes violentos. Não consegui encontrar mensagem espiritual neste filme. Só vi sangue e carne esfacelada e talvez isso me tenha embotado os sentidos. Ou talvez a mensagem não exista ou não seja essa. O extremismo católico talvez leve ao que eu disse no início: não há perdão. E isso não é afinal renegar o sacrifício redentor e transformá-lo tão somente numa carnificina?
publicado por lique às 17:05
link do post | quer comentar? | favorito
13 comentários:
De Anónimo a 18 de Março de 2004 às 01:27
pois eu tambem não vi nem vou ver. Vim conhecer o blog, obrigada pla simpatia e muito prazer em conhecer!:)Columbiana
(http://anaprs.blogs.sapo.pt/)
(mailto:ana333333@hotmail.com)
De Anónimo a 17 de Março de 2004 às 22:22
Olá sou a velha.
Á Fé é Fé. Cinema é cinema.
O que se pretende com o filme é choque e polémica gratuíta que visa por e simplesmente o lucro ( sociedade americana). O finalidade com que foi feito o filme está a dar resultados. Eu, com a fé que tenho, nem me dou ao trabalho de contribuir para tal finalidade.
Violência ? chega . estou cansada.
Esta é a minha humilde opinião.
Bom blog.
Não se esqueça da dar uma voltinha no meu, se assim o entender.
Uma boa noitemariaras
</a>
(mailto:mariaras@sapo.pt)
De Anónimo a 17 de Março de 2004 às 21:17
...não vi o filme; não o irei ver; estou cheio de filmes sobre o tema mais uma vez abordado; tanto quanto tenho lido e ouvido, este filme do Gibson prima pela cor sépia e pela violência com que retrata as últimas 12 horas de vida de Cristo. O que sempre nos foi dado, e mais uma vez pela via da imagem, foi a idéia de que Jesus está morto na cruz. Não aceito esse dogma. Jesus para mim é vida, é luz, á amor, é esperança, é tudo menos dor! E isso ninguém nos diz, ninguém apregôa, ninguém grita. Não vou ver esse filme. Façam um filme em que Cristo não morra, façam um filme em que Cristo não sofra, façam um filme em que Cristo nos abrace...quim
(http://lobices)
(mailto:q@sapo.pt)

Comentar post